quinta-feira, abril 17, 2008

17 Abril 1971

Sim, foi em 17 de Abril de 1971 que nasceu o meu filho mais velho.

O tempo foi passando, a Vida foi-se recheando do que é feita, de grandes alegrias, de algumas tristezas, de poucas decepções, de pequenos nadas e dos tudos que lhe dão alma.

Quando se olha para um filho com 37 anos, vem à memória cada um desses momentos, do tempo em que partilhávamos o pequeno almoço ( indicador supremo de vivência e alegria comuns ), das pequenas e das grandes viagens que fizémos, do último e decisivo penalty que marcaste numa final de um torneio de futebol em Lausanne e que levou a tua equipa à vitória, do abraço que me deste com lágrimas de emoção num dia em que cheguei para as férias onde tu já estavas, da tua vivência física e espontânea com a praia, a água, a natureza, o prazer do Sol e da montanha, dos piqueniques que fizémos juntos na Serra, das palavras que te escrevi em certas ocasiões, da tua busca de ti e dos outros, do caminho que foste percorrendo, dos amores que tiveste e não tiveste, dos projectos que te alimentam o Sonho.

O caminho faz-se caminhando, não há outra maneira. É redutor, é assim.

Nunca cedas à vontade de desistir, pois se alguns Homens estão ligados e se projectam em tudo o que vive ( e tu és um desses ) desistir é fazer mal a si e aos outros, à construção da Vida.

Se te sentires frágil ou vulnerável, saberás encontrar a força de que necessitares. Poderá ser uma recordação, um afecto, uma folha a irromper na Primavera, um olhar cúmplice, uma mão amiga, a fotografia de uma pedra silenciosa, um barco no cais, a consciência da dignidade humana, uma madrugada de amor. O desejo e o sabor da vitória. Até mesmo um golo do Benfica....

Sei que, como um dia me escreveu um amigo meu, "se tropeçares será sob o olhar de Deus".

Para os amanhãs da tua vida, se a felicidade como estado permanente não existe, que tenhas a percepção disso mesmo e assim valorizes cada insubstituível momento de felicidade que viveres, integrando-o no teu património afectivo, sem o qual o ser humano é pouco ou talvez nada.

Obrigado, Rodrigo, por tudo o que me deste.

quarta-feira, abril 16, 2008

PAI

O meu pai fazia anos hoje, penso sempre muito nele neste dia.

Lembro-me muito da cara dele, do seu temperamento, da sua calma aparente, do quanto me foi ensinando ao longo da vida, mais pela acção exemplar do que pela palavra.

Já uma vez o escrevi, o que sou a ele o devo. Não tivesse ele tido a coragem de partir para África com 17 anos, permanecendo lá cerca de 10 sem vir a Portugal, estaria eu talvez como pastor a tratar das ovelhas de alguém, lá nas encostas serranas por onde tantas vezes me levou e com ele aprendi a interpretar, a sentir.

Homem de poucas falas, dizia o essencial, no momento devido.

Uma bela tarde, em São Romão, em que me irritei com um dos meus filhos ainda pequenos e lhe chamei um nome que já não recordo , do género "não sejas parvo", olhou-me nos olhos com toda a serenidade do Mundo e disse-me: "Nunca insultes um filho teu".

Fazes-me falta, pai.